EFE

Por María Jesús Ribas
Da EFE


As crianças se movimentam, brincam e correm. Devido a sua imaturidade mental assumem alguns riscos físicos sem medir bem as consequências. Frequentemente sofrem acidentes. A maioria delas alguma vez recebeu de outra criança um golpe na cabeça ou eles mesmos bateram sozinhos. Tudo isto é normal que aconteça.

O que já não é tão normal - e, além disso, desaconselhável e arriscado - é que os pais não tomem precauções para reduzir o perigo físico que suas crianças correm e ignorem que medidas devem tomar diante desses traumatismos na cabeça, que são "normais" e a maioria das vezes sem grande consequências, mas nem por isso estão isentos de riscos.

Ensinar aos pequenos aquilo que é permitido fazer e aquilo que não, assim como os perigos de certas atividades e proteger suas cabeça com capacetes quando realizarem algum jogo ou atividade esportiva, como andar de bicicleta ou de patins, são algumas medidas elementares para prevenir um problema que causa 20% de consultas pediátricas de urgência: as pancadas no crânio.

Segundo dados dos Institutos Nacionais da Saúde (NIH, na sigla em inglês) dos Estados Unidos, a cada ano, milhões de pessoas sofrem um traumatismo na cabeça. A maioria destas lesões são leves, porque os ossos do crânio proporcionam uma proteção considerável ao cérebro. Os sintomas do golpe também são menores e geralmente desaparecem por si sós.

No entanto, de acordo com o NIH, mais de meio milhão de traumatismos cranianos por ano são suficientemente severos a ponto de requerer uma hospitalização e um tratamento médico urgente, por isso que aprender a reconhecer um traumatismo craniano grave e administrar os primeiros socorros básicos pode fazer a diferença entre salvar a vida de uma pessoa ou não.

Pancada na cabeça? Aja rápido!

"Para se assegurar de que quem bateu a cabeça não terá consequências graves ou fatais, devem ser tomados certos cuidados, embora não apresente sintomas nem tenha ficado inconsciente e pareça estar bem inicialmente", segundo o médico Greg O'Shanick, da Associação Americana para a Lesão Cerebral (BIAA, em inglês), em Washington.

Segundo o especialista americano é imprescindível permanecer com a pessoa que bateu a cabeça, não deixá-la sozinha, ou pelo menos se assegurar de que sempre haja alguém presente, cuidando dela e observando suas mudanças de comportamento.

No caso de quem bateu a cabeça ficar sonolento, irritável ou confuso, pareça bêbado, repita coisas ou tenha dificuldades para caminhar e falar, O'Shanick recomenda levar a pessoa imediatamente a um serviço médico de urgência, para que a situação seja avaliada.

Segundo o especialista da BIAA, além dos idosos, quem toma anticoagulantes ou sofre uma intoxicação, um dos grupos de risco com o qual é preciso ter um cuidado especial são as crianças, porque elas têm maiores possibilidades de sofrer uma lesão cerebral.

De acordo com o pediatra Miguel Bermejo Pastor, da Associação Espanhola de Pediatria de Atenção Primária (AEPAP), "os traumatismos crânio-encefálicos são problemas ou preocupações frequentes desde muito tenra idade e há poucas mães que não tenham consultado seu pediatra para perguntar o que fazer quando seu filho sofre um golpe na cabeça. A metade dos TCEs (traumatismos crânio-encefálicos) acontecem em menores de 15 anos".