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Atualizado: 06/02/2014 10:08 | Por EFE Brasil, EFE Multimedia

Médica cubana que desertou pede refúgio no Brasil e asilo nos Estados Unidos



Médica cubana que desertou pede refúgio no Brasil e asilo nos Estados Unidos

Médica cubana que desertou pede refúgio no Brasil e asilo nos Estados Unidos

Rio de Janeiro, 6 fev (EFE).- A médica cubana Ramona Matos Rodríguez, que desertou quando trabalhava para o programa Mais Médicos, pediu refúgio no Brasil e asilo nos Estados Unidos, informaram nesta quinta-feira porta-vozes do partido opositor que a apoia em suas gestões.

Ramona, que inicialmente pretendia pedir asilo no Brasil, optou pelo pedido de refúgio por ter mais chances de êxito, disse à Agência Efe um porta-voz do partido opositor e direitista Democratas (DEM).

A principal diferença entre asilo político e refúgio é que, no primeiro caso, o requerente deve se sentir perseguido em seu país de origem, enquanto no segundo, sua vida e liberdade precisam de fato estar em perigo no país, por motivos religiosos, raciais ou políticos.

Antes de buscar a ajuda do DEM, a médica tinha acudido na segunda-feira à embaixada dos EUA em Brasília para solicitar sua inclusão no programa americano que oferece asilo aos cubanos desertores, admitiu Matos em declarações a jornalistas.

A médica faz parte dos cerca de 7.400 médicos cubanos que participam do programa do governo brasileiro que prevê a contratação de profissionais estrangeiros para atender as áreas mais pobres do país.

A cubana, que tinha sido enviada a Pacajá (PA), deixou o posto de saúde que atendia e viajou para Brasília para buscar a ajuda prometida pelos dirigentes do DEM aos médicos ilhéus dispostos a desertar.

A solicitação de refúgio foi apresentada formalmente ontem à noite pelo líder do DEM na Câmara dos Deputados, o deputado Mendonça Filho, perante o Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), um organismo vinculado ao Ministério da Justiça.

A entrega da solicitação automaticamente concedeu à cubana o direito a permanecer e trabalhar no Brasil até que o Conare se pronuncie sobre sua situação, o que pode demorar vários meses.

O Ministério da Saúde havia informado pouco antes que precisaria suspender o visto que permite à cubana trabalhar no Brasil, já que foi outorgado exclusivamente para que fizesse isso no marco do programa Mais Médicos.

'Vamos estar atentos ao processo na Conare. Esperamos bom senso e equilíbrio do governo e que se conceda à Ramona a oportunidade de ser reconhecida como refugiada em território brasileiro', afirmou o deputado Ronaldo Caiado, que lidera a campanha para ajudá-la.1

Caiado cedeu na terça-feira seu gabinete no Congresso à cubana, que pretendia permanecer na sede legislativa longe do alcance da polícia federal, mas ontem, após o pedido do refúgio que impede sua deportação, a transferiu a um apartamento de sua propriedade.

'Me sinto mais tranquila agora. Não com o medo que tinha antes', afirmou a médica.

Matos denunciou que era vigiada, que suas ligações telefônicas eram escutadas e que agentes da Polícia Federal brasileira chegaram a buscá-la quando se inteiraram de sua intenção de desertar, o que foi desmentido pelo Ministério da Justiça.

A deserção foi justificada pelo DEM pelas supostas condições análogas à escravidão em que os médicos cubanos teriam que trabalhar no Brasil.

A médica alega haver sido enganada pelo Governo cubano devido a que recebe US$ 400 por seu trabalho no Brasil apesar do acordo entre ambos governos prevê o pagamento de R$ 10 mil (uns US$ 4.166,7) mensais por cada profissional.

Segundo Matos, o governo cubano lhe informou que outros 600 dólares serão depositados mensalmente em uma conta em Cuba, mas que apenas poderá reclamá-los no final dos três anos do contrato.

A profissional também denunciou que o governo cubano a enganou ao prometer-lhe que poderia trazer temporariamente sua família ao Brasil e disse que vivia melhor com 200 dólares mensais na Bolívia que com US$ 400 neste país, que considerou muito caro.

Matos relatou que seu marido vive nos Estados Unidos e que teme ser detida se retorna a Cuba ou que sua filha, que permanece na ilha, sofra represálias.

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