Ondas de tsunami começam a chegar aos Estados Unidos

"Porto em Santa Cruz, Califórnia"

Nível de água subiu 2,7 metros em Santa Cruz, na Califórnia

Ondas desencadeadas pelo forte terremoto que atingiu nesta sexta-feira o Japão começaram a atingir os Estados continentais dos Estados Unidos, depois de passar pelo Havaí.

Relatos iniciais da defesa civil americana dão conta de que o tsunami parece ter perdido força ao atravessar o Pacífico rumo à América do Norte.

Mas a rede americana ABC disse que as ondas geradas pelo tsunami danificaram barcos aportados na cidade de Santa Cruz, na Califórnia. Segundo a rede, o nível da água subiu cerca de 2,7 metros, e morros próximos à costa da cidade de San Francisco estão cheios de espectadores.

Segundo o Centro de Alerta de Tsunami do Pacífico, ondas com mais de 2 metros de altura também atingiram a cidade de Crescent City, no norte da Califórnia.

Milhares de habitantes foram evacuados de outras cidades costeiras do Estado, como San Mateo. No Estado de Oregon, ao norte da Califórnia, autoridades fecharam escolas próximas à costa e aconselharam moradores a deixar a região.

Obama

Em um pronunciamento nesta sexta-feira, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, confirmou que territórios pertencentes ao país no Oceano Pacífico já sentiram efeitos do tsunami.

'Não houve danos grandes até agora, mas nós estamos encarando isso com muita seriedade e monitorando a situação bem de perto', disse.

O chefe de Gabinete da Casa Branca, Bill Daley, disse que 'o medo enorme que havia horas atrás diminuiu sensivelmente, o que é um grande alívio para todos nós'.

Um porta-voz do Centro de Alerta de Tsunami do Pacífico diz que pode levar entre 10 e 12 horas para que os efeitos do terremoto cessem por completo.

Havaí

No Havaí, a 6,2 mil km do Japão, as ondas foram ligeiramente maiores do que o normal, e não houve relatos de feridos nem de graves prejuízos. A maior parte do arquipélago já abandonou o alerta de tsunami, após a evacuação de residências e hotéis nas áreas costeiras durante a madrugada.

O bombeiro Lanson Ronquilio, que vive na Ilha de Oahu, disse à BBC Brasil que as estradas começam a ser reabertas e as pessoas já estão sendo autorizadas a voltar para suas casas.

'Parques e estacionamentos públicos ficaram lotados no meio da noite, porque as pessoas que saíram da costa iam acampar nas partes mais altas da ilha.'

No entanto, Ronquilio disse que as ondas que atingiram o Havaí não causaram maiores problemas.

'A maré subiu bastante, mas só alguns ancoradouros ficaram danificados.'

Sua mulher, a personal trainer brasileira Daniela Freitas Ronquilio, disse que as sirenes de alerta começaram a soar no local às 22h (hora local) e continuaram até a manhã seguinte.

'As escolas estão fechadas e, na minha vizinhança, ninguém foi trabalhar. As filas dos postos de gasolina dão voltas nos quarteirões.'

Os principais aeroportos das ilhas de Maui, Kauai e da grande ilha do Havaí foram fechados por precaução. A Marinha americana ordenou que todos os navios de guerra em Pearl Harbor permaneçam no porto para apoiar missões de resgate, se necessário.

Um funcionário do governo americano diz que o Havaí aparentemente se livrou do pior, mas que ainda havia riscos para a costa ocidental dos Estados Unidos.

América do Sul

O terremoto no Japão, de magnitude 8,9, provocou alertas de tsunami em 20 países americanos.

No Canadá, na província da Colúmbia Britânica, que faz fronteira com os Estados Unidos, as autoridades determinaram a evacuação de algumas regiões costeiras.

O serviço oceânico e de meteorologia dos Estados Unidos estima que as primeiras ondas do tsunami cheguem ao norte da América do Sul por volta das 17h locais (19h de Brasília).

Os governos de Equador e Chile determinaram nesta sexta-feira a saída de moradores de áreas costeiras que podem ser afetadas pelo tsunami.

O presidente equatoriano, Rafael Correa, decretou estado de emergência e pediu para que os moradores das Ilhas Galápagos e de cidades litorâneas no continente busquem locais mais altos.

O governo determinou ainda o fechamento de escolas e afirmou que os militares irão proteger propriedades que terão de ser abandonadas por seus proprietários.

Entre as cidades situadas no litoral equatoriano estão a mais populosa do país, Guayaquil. As Ilhas Galápagos são um patrimônio da Unesco e um popular destino turístico situado a cerca de mil quilômetros da costa do continente.

A estatal Petroecuador, por sua vez, interrompeu o embarque de produtos.

Tsunami atinge a cidade de Iwaki

"Tsunami atinge a cidade de Iwaki"

Tremor seguido de tsunami foi o mais forte a atingir o Japão

O Chile planeja evacuar moradores e turistas da capital da Ilha de Páscoa, Hanga Roa, no sul do Oceano Pacífico.

Um centro de evacuação foi levantado no aeroporto da ilha, a cerca de 45 metros acima do nível do mar, para receber as cerca de cinco mil pessoas que eram esperadas.

Autoridades peruanas disseram que aguardariam até o fim da tarde desta sexta-feira para decidir se ordenariam evacuações de cidades costeiras como Callao.

México

Também é possível que o tsunami atinja a costa oeste do México.

Autoridades de Estados da região esperam que haja uma elevação das ondas em Estados como Jalisco, Guerrero e Baja Califórnia Sur.

Mas não há ainda previsões por parte do governo de que habitantes venham a ser evacuados.

O Estado da Baja Califórnia Sur pode ser o primeiro a ser atingido, mas as autoridades locais disseram não esperar que o tsunami cause grandes estragos, baseado em experiências similares anteriores.

Por ocasião do mais recente tsunami, em 2004, que afetou áreas do Extremo Oriente, o nível do mar do México teve

uma elevação de um metro, em média.

'Amplo estrago'

De acordo com o boletim do Centro de Alertas de Tsunami do Pacífico, a alta magnitude do tremor e leituras dos níveis do mar indicam que o tsunami pode causar ''amplo estrago''.

A entidade define um tsunami como uma série de ondas. A primeira onda a atingir uma região não precisa, necessariamente, ser a mais forte.

O tamanho da ondas de um tsunami não pode ser previsto e a proporção pode variar significativamente ao longo de uma região costeira devido a efeitos locais.

O intervalo entre uma onda de tsunami e outra pode variar de cinco minutos a uma hora e a ameaça de novas ocorrências pode continuar por várias horas.

A ameaça só é considerada encerrada quando grandes ondas deixam de ser registradas por um período de duas horas após o horário estimado para a chegada da primeira onda ou para a primeira leva de grandes ondas.

*Colaborou Camilla Costa, da BBC Brasil em São Paulo

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