Manaus, 2 dez (EFE).- A Petrobras realizou nesta quinta-feira uma simulação equivalente ao vazamento de 800 mil litros de petróleo no Rio Negro, afluente do Rio Amazonas, com o objetivo de testar as técnicas de contingência do óleo e comprovar a eficiência das equipes de mobilização de segurança durante tragédias ambientais.

Apesar de soar pitoresco, a pipoca é usada para substituir o óleo em simulados há mais de dez anos pela empresa. Após testarem sementes e grãos, os especialistas encontraram diversos fatores positivos na pipoca: ela é biodegradável - preparada sem sal e sem óleo de cozinha -, apresenta boa flutuação e serve de alimento para os peixes.

Além disso, quando lançada na água, a pipoca adquire formato semelhante ao da mancha de óleo, o que facilita sua visualização.

"Grandes emergências não acontecem com frequência, então é uma oportunidade fantástica para exercitar a equipe e a tecnologia", declarou o gerente regional de Contingência da Petrobras, Márcio Dertoni, que completou afirmando que "contingência é a palavra-chave do momento".

Dependendo das condições e da localização de cada caso, existem três medidas de contingência principais. Uma delas é o dispersante químico, que é mais restrito e funciona como um detergente que divide o óleo em partículas menores; o segundo é a queima de óleo, técnica usada no acidente no Golfo no México em abril deste ano; e o terceiro é a contenção de óleo e recolhimento, usada no teste.

Com uma equipe de 100 pessoas e 30 embarcações, a Petrobras projetou um "cenário verossímil" de um acidente de médio porte com uma balsa no Rio Negro. O exercício sugeriu que o choque resultou numa fissura no casco e no vazamento de óleo durante três dias.

A primeira medida é acionar a equipe de plantão e mobilizar os 2 mil metros de barreiras de contenção com estrutura flutuante, que impede que o óleo se espalhe. Logo após, segue o uso do skimmer, que recolhe o óleo, e por fim, com a chamada de um grupo de especialistas de reconhecimento que orienta as ações dos cinco recolhedores de óleo.

A simulação foi realizada durante o encontro Mobilização, Preparo e Resposta - Mobex Amazônia 2010, promovido pela Clean Caribbean & Americas (CCA), Petrobras e Marinha do Brasil, que pela primeira vez foi organizado no Brasil, mais especificamente em Manaus, com o objetivo de discutir emergências ambientais e mecanismos de prevenção e contenção.

Este também é o primeiro simulado em águas fluviais, o que aumenta o interesse dos outros órgãos envolvidos como Marinha e Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais).

"Para nós, é muito interessante participar para a integração das instituições", apontou o coordenador geral de Emergência do Ibama, João Raposo.

A partir do ano 2000, quando ocorreram grandes desastres como o vazamento de 1,3 milhão de litros de óleo na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, e de 4 milhões de litros no Rio Iguaçu, na Grande Curitiba, a Petrobras sentiu a necessidade de investir em mais programas de prevenção e de contenção de acidentes.

"No projeto Pegaso, o maior programa ambiental e de segurança operacional já elaborado no País, investimos R$ 5 bilhões em instalações de novos procedimentos para os acidentes e, em paralelo, firmamos fortes ações de contingência para reduzir os acidentes já ocorridos", explicou Dertoni.

Hoje, a empresa tem dez Centros de Defesa Ambiental (CDA) espalhados pelo território brasileiro e 13 bases avançadas em localizações mais estratégicas para agir nos planos de contingência. Cada endereço tem em média 20 profissionais que trabalham 24 horas por dia.

Desde 2000, quando a empresa registrou um volume vazado de 6 milhões de litros de óleo, em 2003 o número caiu para 1,3 milhão de litros e, em 2010, entre 200 mil e 300 mil litros.

De acordo com a Petrobras, os principais acidentes com vazamento de óleo, contudo, não são os ocorridos no mar ou nos rios, e sim pelo transporte rodoviário, que é prejudicado principalmente pelas péssimas condições das estradas.

"No total, a BR Distribuidora (empresa da Petrobras que abastece o Brasil inteiro) realiza 8 mil viagens por dia", ressaltou Dertoni.

Já para o período do Pré-sal, a Petrobras espera investir em novas tecnologias. "Estamos começando a avaliar sistemas de contingência submarina. Assim, será possível capturar o óleo antes que ele suba até a superfície", adiantou Bertoni. EFE