Morre o senador e ex-diretor da PF Romeu Tuma

Morre o senador e ex-diretor da PF Romeu Tuma

São Paulo, 26 out (EFE).- O senador brasileiro Romeu Tuma (PTB), ex-diretor-geral da Polícia Federal do país, morreu nesta terça-feira aos 79 anos por insuficiência cardíaca.

Tuma, quem recentemente tinha sido submetido a uma cirurgia para a implantação de um dispositivo de assistência ventricular, estava internado desde o início de setembro no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, onde morreu nesta terça-feira, segundo seu filho Rogério Tuma.

O senador, cujo mandato terminaria no ano que vem, disputou pela primeira vez as eleições em 1994, quando foi eleito senador com mais de 5,5 milhões de votos, e em 2002 foi candidato à Prefeitura de São Paulo, mas não conseguiu a vitória.

Nascido na capital paulista em 4 de outubro de 1931, Tuma estudou direito na Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP) e iniciou sua carreira policial com apenas 20 anos.

Tuma adquiriu notoriedade nacional em 1977 quando ocupou a chefia do Departamento de Ordem Política e Social (Dops) de São Paulo, encarregado de reprimir políticos e sindicalistas opositores à ditadura militar (1964-1985).

Como diretor do Dops, Tuma era responsável pelos presos políticos detidos durante a ditadura, entre eles o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Durante sua prisão, Tuma deu permissão a Lula para que pudesse visitar sua mãe, que estava gravemente doente, e posteriormente permitiu que ele fosse a seu funeral.

Duas de suas principais conquistas foram a detenção, em 1978, do nazista Gustav Franz Wagner e a identificação da ossada de outro carrasco do nazismo, Josef Mengele, em 1985.

Mengele, conhecido como "o anjo da morte" por seu tratamento a judeus e ciganos em Auschwitz, conseguiu escapar da Alemanha após a Segunda Guerra Mundial e se refugiou em vários países latino-americanos antes de chegar ao Brasil.

Segundo a versão oficial, Mengele morreu afogado em uma praia do litoral de São Paulo em 1979 e foi enterrado no cemitério de Embu, de onde seus restos mortais foram exumados para a identificação em 1985.

De 1986 a 2002, Tuma foi a autoridade máxima da Polícia Federal e também ocupou uma das vice-presidências da Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol).

Ele também foi responsável pela captura do mafioso italiano Tommaso Buscetta.

Nos últimos anos, o senador foi alvo de denúncias por seu suposto envolvimento na ocultação de cadáveres de presos políticos durante a ditadura.

Casado com a professora Zilda Dirane, Tuma deixa quatro filhos e nove netos.