
Países andinos vivem impasse entre avanço da mineração e preservação do ambiente
Por sua parte, o governador da província serrana de Azuai, Paúl Carrasco, relatou que o subsolo andino é como uma esponja que acumula água, que vai soltando gradualmente em "um sistema de riozinhos", e alertou que o manejo incorreto dos produtos químicos usados na mineração "pode acabar contaminando a água".
Por outro lado, o presidente equatoriano, Rafael Correa, descartou a contaminação dos leitos e ressaltou que a Ecuacorriente criará um fundo para restaurar a diversidade na região na qual trabalha.
O diretor-executivo da empresa, Jin Shouhua, assegurou que reciclará 90% da água empregada e enfatizou que a área de exploração ocupa apenas entre cinco e oito quilômetros quadrados, e nela farão "um parque de plantas".
Por sua parte, Nárvaez assinalou que a oposição à mineração acontece por causa da poluição ocasionada por outras atividades extrativistas como a petrolífera, mas lembrou que este é o primeiro projeto minerador em grande escala no Equador, e por isso considera arriscado antecipar seus efeitos sobre o ambiente.
Por outro lado, os prefeitos da área afetada pelo projeto da Ecuacorriente apoiam esta decisão por acreditar que trará benefícios econômicos e trabalho. Este é o caso de Luis Portillo, prefeito da localidade de El Pangui, incrustada no meio de uma selva praticamente virgem.
Portillo relatou que se convenceu dos benefícios da exploração depois que uma comissão de prefeitos de Zamora visitou um projeto minerador no Chile e explicou que uma comissão supervisionará o impacto ambiental da atividade.
"Não será agora, depois de assinado um contrato de exploração, que tudo será abandonado. É preciso estar mais próximo, mais atento, para que se cumpram os estudos de impacto ambiental", declarou.
Efeitos da mineração artesanal
Segundo a Lei de Mineração do Equador, o Estado deve investir no desenvolvimento social das comunidades locais 12% dos recursos gerados pela extração mineira em grande escala e 5% do lucro das operações em pequena escala.
Portillo salientou que El Pangui quer usar os fundos em educação, saúde e na promoção do turismo, além de criar um plano de segurança e de ordenamento urbano para receber os novos habitantes que cheguem para trabalhar na mineração.
Até agora se desconhecem as repercussões da atividade mineradora de grande porte, mas o que se sabe muito bem é o efeito da mineração artesanal e ilegal.
Em um descampado da localidade de Wawintza, no coração da Cordilheira do Condor, a Agência Efe pôde constatar dez máquinas removendo a terra na busca por ouro, em uma área envolvida por uma flora majestosa.
No entanto, por onde passavam as escavadeiras não ficavam árvores, só havia desolação. Em Conguimi já não há máquinas, mas ficaram grandes ribeiras de água contaminada, delimitadas por uma faixa amarela.
As escavadeiras perfuravam o solo, de onde saía a água, que os mineiros usavam ali mesmo para lavar o ouro com mercúrio, segundo Fernando Luna, engenheiro do governo de Zamora Chinchipe.
Durante uma década praticou-se essa mineração de pequeno porte em Conguimi, até que o governo desalojou os mineiros à força, segundo Domingo Ankuash, diretor da escola da localidade, onde vivem indígenas da etnia shuar.
"Todas as ribeiras são ruínas deixadas pela presença do Estado e que comprovam os estragos feitos pelos mineiros", afirmou Ankuash, que opinou que o governo deveria ter "regulado e recuperado as terras" primeiro e só depois expulsar os mineradores.
Precisamente, a Empresa Nacional de Mineração do Equador (Enami) está trabalhando com as comunidades locais para que recuperem as áreas danificadas com a promessa que depois poderão explorá-las, desde que empreguem técnicas que respeitem o meio ambiente.
Uma delas é a associação Kenkuim Kurinunka, com 63 membros, que se ocupará de cerca de 400 hectares em Conguimi. Seu gerente, Alipio Joaquin Wajari, disse que primeiro limparão a água, que "está misturada com mercúrio, diesel e outros produtos", depois o solo e, finalmente, reflorestarão a área.
"Somos daqui, nós vamos viver aqui a vida toda, nossos filhos e os filhos de nossos filhos também. Temos que tratar a terra o melhor que pudermos", ressaltou.
Agora as comunidades vivem divididas; enquanto alguns habitantes apostam na atividade mineradora, seja em pequena ou em grande escala, como fonte de renda, outros temem que a extração de minerais acabará com a riqueza natural da Amazônia e com os próprios povos indígenas que habitam há séculos nela.



























