Um caminhão que levava computadores, televisores e peças automotivas para Vitória da Conquista (BA) foi assaltado por uma quadrilha na Rodovia Presidente Dutra, região de Arujá, na tarde de ontem. Os ladrões usaram um aparelho chamado "Capetinha" para inutilizar o rastreador da cabine, mas não contavam com um segundo rastreador, instalado na parte de trás do caminhão, que forneceu as coordenadas à polícia. Três homens foram presos enquanto descarregavam o veículo em um galpão de Guarulhos.

O motorista, Antenor Bassetto, 73 anos, disse que tinha acabado de sair do pedágio de Arujá quando um veículo passou ao seu lado e indicou que seu estepe estaria caindo. Ele não acreditou e seguiu viagem, mas um quilômetro adiante outro motorista contou a mesma história e Bassetto, que dirige há 52 anos e nunca foi assaltado, decidiu parar no acostamento. Foi quando ele foi abordado por três homens - um assumiu a direção do caminhão e os outros dois o fizeram refém em um carro de passeio.

A transportadora percebeu a mudança de rota do caminhão e acionou a polícia, que encontrou o veículo em um galpão na Avenida Mariano Melliani, em Ponte Grande, Guarulhos, às 22h. "Um homem que estava na calçada entrou correndo ao ver nossa viatura", disse o sargento Guerreiro. Luis Ferreira de Melo Filho, 49 anos, Alexandro Felismino da Silva, 33, e Alexandro Dantas, 27, estavam retirando os bens do caminhão - avaliados em R$ 439 mil - e foram presos.

Enquanto isso, o motorista Basseto foi levado para uma favela às margens da Rodovia Fernão Dias e feito refém em um barraco, sob vigilância de um homem armado. Após nove horas de cativeiro, por volta da 1h de hoje, o criminoso soube da prisão dos comparsas. "Velho, por causa do seu rastreador pegaram os nossos caras", teria dito. Basseto foi colocado em um carro e deixado na região do Jaçanã, zona norte da capital, sem nenhum dinheiro. Ele pegou uma carona e conseguiu chegar ao 73º DP, onde a ocorrência estava sendo registrada.

Os criminosos negaram o roubo e disseram que tinham encontrado o caminhão abandonado no acostamento da rodovia, segundo a polícia. "A região de Jardim Munhoz e Porto Grande, onde ocorreu o crime, é um local de alta incidência de roubo de carga", disse o sargento Guerreiro.

"Capetinha"

O aparelho usado para desligar o rastreador do caminhão, conhecido por "Capetinha", consegue bloquear o sinal de celular enviado pelo sistema de localização, segundo um funcionário da empresa de segurança contratada pela transportadora, que preferiu não se identificar. Porém outro rastreador, instalado na parte de trás do caminhão e operado via satélite, continuou enviando as coordenadas e permitiu à polícia localizar o veículo.