Por Louis Charbonneau e Michelle Nichols

NAÇÕES UNIDAS, 20 Abr (Reuters) - A Rússia e a União Europeia apresentaram nesta sexta-feira propostas diferentes para uma resolução do Conselho de Segurança da ONU que autorize o envio de até 300 observadores para monitorar um cessar-fogo na Síria, e diplomatas dizem que uma votação deve acontecer no fim de semana.

O Conselho autorizou no sábado passado o envio de até 30 monitores em uma missão precursora, e sete deles já estão na Síria. A ampliação em relação à autorização inicial precisa ser referendada pelo Conselho.

Mas alguns membros relutaram em aprovar o envio solicitado pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, por causa dos relatos de que o governo sírio não cumpriu seus compromissos de desmilitarizar as cidades e conter a violência.

Pelo menos 23 pessoas foram mortas nesta sexta-feira, sendo dez em uma bomba deixada numa calçada, tendo as forças de segurança como alvo. Quase todas as demais vítimas foram atingidas por bombardeios das forças governistas contra a cidade de Homs.

Em nota, a chancelaria russa disse que as discussões no Conselho "estão ocorrendo tendo como base o texto russo, a fim de que se tome uma decisão amanhã (sábado)".

Diplomatas do conselho confirmaram que o texto russo serve de base. Tradicionalmente, o Conselho se esforça para conciliar versões paralelas e isso pode ocorrer nas consultas a portas fechadas marcadas para sexta-feira à noite.

Os textos da Rússia e de quatro países europeus, aos quais a Reuters teve acesso, autorizam o envio de 300 observadores desarmados para um período inicial de três meses e pedem à Síria que implemente os seis itens definidos em um plano de paz do mediador internacional Kofi Annan.

Uma importante diferença é que o texto europeu, que diplomatas dizem ter sido redigido pela França, "salienta a necessidade de o governo sírio decidir rapidamente com as Nações Unidas o uso de recursos aéreos independentes" para auxiliar na tarefa dos observadores.

A versão russa não faz menção ao apoio aéreo e é menos crítica ao governo sírio. Durante a semana, Damasco deu sinais de relutar quanto à avaliação de Ban de que helicópteros e outros veículos precisariam ser emprestados por terceiros países para permitir o deslocamento dos monitores dentro da Síria.

O texto europeu também ameaça impor sanções conforme o artigo 7o da Carta da ONU caso não haja um cesse sustentado da violência para permitir a missão dos observadores.

A Rússia dificilmente aceitará essa hipótese. Moscou tem acusado os EUA e a Europa de tentarem usar a proteção aos civis como pretexto para uma intervenção militar, a exemplo do que ocorreu no ano passado na Líbia.