Isabela Vieira

Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro - Capoeiristas dos estados do Sul e Sudeste se preparam para uma roda de discussão, a partir de hoje (27), no Rio. A meta é levantar sugestões para um plano nacional de salvaguarda, com medidas principalmente para a profissionalização. No evento, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) lança um prêmio para os mestres da modalidade.

Capoeirista há 40 anos, mestre Levi Tavares de Souza, de 53 anos, diz que os professores querem empregos formais e aposentadoria. Com a profissionalização, ele acredita que ficam protegidos os saberes tradicionais da prática, conhecida por aliar arte, cultura e história. O mestre lembra que desde que a capoeira deixou de ser crime, na década de 30, a questão não foi discutida.

"A capoeira não sofre mais o preconceito de antes - não é mais associada à marginalidade", disse, lembrando que a luta que mistura golpes rápidos e movimentos acrobáticos à dança, ao som de atabaques, foi criminalizada dois anos depois da Abolição da Escravatura (1888). "Mas os mestres esbarram na exigência do diploma de educação física e na formalização", reclamou.

No encontro chamado Pró-Capoeira, os participantes também debatem a internacionalização da prática, levada para fora do país por vários mestres, além de formas de organização social, ações que estimulam o uso da capoeira na educação e no lazer e maneiras de garantir a preservação do meio ambiente na elaboração de instrumentos musicais como o berimbau.

"Os instrumentos são fabricados de madeira e sementes. São materiais que exigem formas adequadas de manejo", destaca a coordenadora-geral de salvaguarda do Departamento de Patrimônio Imaterial do Iphan, Teresa Paiva Chaves. "A roda de capoeira precisa da musicalidade, precisa desses instrumentos, mas com sustentabilidade", acrescenta.

Considerados Patrimônio Cultural Imaterial pelo Iphan há dois anos, a Roda de Capoeira e o Ofício dos Mestres passaram a exigir políticas públicas de promoção e de preservação. Nesse sentido, o instituto também lança hoje o prêmio Viva meu Mestre, que oferecerá R$ 15 mil para os professores mais velhos, em situação de vulnerabilidade social.

O edital será conhecido no encontro e contemplará professores escolhidos pelos próprios alunos. Podem participar do lançamento do prêmio e do encontro praticantes e instituições ligadas à capoeira no Sul e Sudeste. O evento será realizado no Centro de Convenções SulAmérica, no centro, e contará com representantes da Fundação Palmares e do Ministério da Cultura.

As sugestões aprovadas no Rio para o plano nacional de salvaguarda se somarão a contribuições de todo o país, que voltarão a ser discutidas no ano que vem em Brasília. O documento ainda contará com contribuições da roda de discussões da Região Centro-Oeste, que se reúne em novembro. O Pró-Capoeira no Nordeste foi realizado em setembro, em Recife.

Edição: Graça Adjuto

Agência Brasil - Todos os direitos reservados.